
A dislipidemia acontece quando existe alteração em exames laboratoriais condizentes com alteração nas gorduras do sangue, como colesterol e triglicérides.
Na prática, muitas pessoas conhecem esse problema como colesterol alto.
O ponto mais importante é que a dislipidemia geralmente não causa sintomas, mas pode causar repercussões importantes a longo prazo, quando não controlada.
Mesmo assim, o colesterol alto é um fator que aumenta, por si só, o risco de infarto e AVC.
Por isso, cuidar do colesterol não é apenas “melhorar o exame”.
É proteger o coração e a circulação ao longo dos anos.
Por que Dr Mauricio pode te ajudar a controlar o Colesterol Alto?
Sou médico cardiologista, especialista em tratar pacientes com Colesterol Alto, com residência médica pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto, que é referência em cardiologia de todo centro-sul do país, tendo atendido diversos pacientes com de Colesterol Alto e tendo conseguido o controle adequado e reduzindo o risco cardiovascular desses pacientes
Na cidade de Uberaba, no Triângulo Mineiro, atuo como cardiologista assistente do Mário Palmério Hospital Universitário e em consultório próprio, podendo auxiliar no tratamento de diversos pacientes com o diagnóstico de Colesterol Alto, de forma individualizada, especializada e próxima de cada paciente adequando o tratamento a cada estilo de vida, almejando cada vez mais o controle do colesterol baseado no risco cardiovascular de cada paciente, reduzindo a chance de ter eventos graves no futuro, como infarto ou AVC.

O que é dislipidemia?
Dislipidemia é o termo médico usado quando os níveis de gorduras no sangue estão alterados.
Isso pode incluir:
- LDL alto;
- Triglicérides alto;
- HDL baixo;
Essas alterações isoladamente ou em conjunto, podem facilitar o acúmulo de gordura nas artérias. Com o tempo, esse acúmulo pode formar placas.
Essas placas podem estreitar os vasos e dificultar a passagem do sangue.
Quando isso acontece nos vasos do coração, que são chamadas artérias coronárias, há aumento do risco de Doença Arterial Coronariana (Angina Estável) ou de Infarto
Quais os sintomas do Colesterol Alto?
Não. O colesterol alto não causa sintomas.
Geralmente, quando ocorre algum sintoma, como dor no peito, perda de força em algum membro, dor em pernas, já é um reflexo do colesterol alto, que se acumulou na forma de placas de gordura ao longo de vários anos, gerando obstrução em algum órgão do corpo humano.
O que causa o Colesterol Alto?
O colesterol é produzido naturalmente pelo nosso organismo por diversos órgãos, mas principalmente pelo fígado para produção de hormônios, participa de processos de produção e regeneração de estruturas dentro das células do nosso corpo.
O excesso de colesterol produzido pelos órgãos é jogado no sangue, onde é dosado através de coleta laboratorial.
O colesterol alto tem sua principal causa genética (70%), mas hábitos de vida não saudáveis também contribuem para aumentar o colesterol circulante no sangue, como obesidade, dieta rica em gorduras saturadas (gorduras trans), embutidos, enlatados, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool.
O que o colesterol alto pode causar?
O colesterol alto não tratado adequadamente, acelera o processo de acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, podendo causar:
- Infarto
- AVC (Derrame)
- Doença Arterial Periférica
- Demência
O que é risco cardiovascular e o que isso influencia no tratamento?
O risco cardiovascular aterosclerótico ou simplesmente risco cardiovascular é o risco calculado de se ter algum evento cardiovascular grave, como Infarto, AVC, Doença Arterial Periférica nos próximos 10 anos.
Quanto maior esse número, maior o risco cardiovascular do paciente.
O risco cardiovascular depende de:
- Idade
- Sexo
- Hipertensão Arterial (Pressão Alta)
- Diabetes
- Nefropatias crônicas, como Doença Renal Crônica
- Doença Cardiovascular prévia (Infarto, AVC, Doença Arterial Periférica)
- Histórico familiar em parentes de primeiro grau precoce (< 55 anos para homens e < 65 anos para mulheres) de Infarto ou AVC
- Menarca (Primeira menstruação) precoce ou tardia
- Menopausa tardia (< 40 anos)
- Obesidade
- Doenças inflamatórias, como artrite reumatóide, lúpus, psoríase, HIV
- Lipoproteína A aumentada (> 50 mg/dL ou 125 nmol/L)
- Proteína C reativa aumentada (> 2 mg/L)
- Níveis muito altos de LDL colesterol
A avaliação cardiovascular necessita de cuidado e individualização em cada paciente para definirmos o melhor tratamento para cada um.
Quanto maior o risco cardiovascular, menores devem ser os níveis de colesterol.
O que é colesterol LDL?
O LDL é conhecido como “colesterol ruim”.
Ele participa da formação das placas de gordura nas artérias.
Quanto maior o LDL, maior o risco de aterosclerose, que é o acúmulo de placas nos vasos.
Essas placas podem afetar as artérias do coração, do cérebro, das pernas e de outras partes do corpo.
Por isso, o LDL é um dos principais alvos no tratamento da dislipidemia.
Mas o valor ideal de LDL não é igual para todo mundo.
Ele depende do risco cardiovascular de cada paciente.
Quem já teve infarto ou sabe que tem placa de gordura no coração, AVC, tem diabetes ou doença arterial coronariana, necessita de valores diferentes de pessoas que não tem esses problemas de saúde
O que é HDL?
O HDL é conhecido como “colesterol bom”.
Ele funciona como um gari, retirando o excesso de gordura do sangue, levando de volta ao fígado
O HDL alto não exclui o risco de um LDL alto e nem anula ou reduz o risco cardiovascular.
Não há medicamentos eficazes para aumento do colesterol HDL, que são capazes de reduzir o risco de infarto ou AVC.
Os principais fatores que aumentam os valores de HDL são a prática de exercícios físicos e alimentação saudável balanceada.
O que são triglicérides?
Os triglicérides são outro tipo de gordura no sangue.
Eles podem aumentar por excesso de açúcar, álcool, obesidade, diabetes mal controlado, sedentarismo e fatores genéticos.
Quando estão elevados, podem indicar maior risco metabólico.
Em valores muito altos, também podem aumentar o risco de pancreatite.
Triglicérides altos frequentemente aparecem junto com resistência à insulina, gordura no fígado, obesidade abdominal e pressão alta.
Por isso, o tratamento envolve principalmente a prática de alimentação balanceada, atividade física, controle do peso e, em alguns casos, medicamentos.
O que é ApoB?
A ApoB, ou apolipoproteína B, é uma proteína presente nas partículas de colesterol que podem entrar na parede das artérias e formar placas.
De forma simples, enquanto o LDL mede a quantidade de colesterol dentro das partículas, a ApoB ajuda a estimar o número de partículas que podem causar aterosclerose.
Isso pode ser muito útil em alguns pacientes para refinar o risco cardiovascular.
Por exemplo, pessoas com diabetes, obesidade, triglicérides altos ou síndrome metabólica podem ter muitas partículas pequenas e com alta capacidade de acúmulo nas paredes dos vasos sanguíneos, mesmo quando o colesterol LDL não parece tão alto nos exames.
Nesses casos, a ApoB pode mostrar um risco que o exame tradicional não deixa tão claro.
O que é Lp(a)?
A Lp(a), ou lipoproteína A, é um tipo de partícula semelhante ao colesterol LDL, mas influenciada especificamente pela genética, com alto poder de formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos quando aumentada.
Isso significa que a pessoa pode ter Lp(a) alta, mesmo com boa alimentação, peso adequado e prática de exercícios.
A Lp(a) elevada pode aumentar o risco de doença arterial coronariana, infarto, AVC e estenose da válvula aórtica. O risco associado à Lp(a) pode persistir mesmo quando o LDL está controlado.
Por isso, em todos pacientes, deve-se medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida para ajudar a entender e refinar melhor o risco cardiovascular.
Quando a Lp(a) está elevada, o tratamento costuma focar em intensificar o tratamento medicamentoso e não medicamentoso, orientando alimentação saudável, perda de peso, prática de exercícios físicos.
Isso inclui controle rigoroso do LDL, pressão arterial, diabetes, tabagismo, peso e outros fatores de risco.
Inflamação também importa para o coração?
Sim. A aterosclerose não é apenas um acúmulo isolado de gordura, mas envolve também inflamação nas paredes dos vasos.
Essa inflamação pode contribuir para o crescimento das placas e para a instabilidade delas, podendo gerar infarto, AVC ou obstrução de vasos das pernas, por exemplo.
Por isso, hoje o risco cardiovascular deve ser avaliado de forma mais ampla, considerando colesterol, pressão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e marcadores inflamatórios para melhor avaliação do risco cardiovascular.
O que é PCR ultrassensível?
A PCR-us, ou proteína C reativa ultrassensível, é um exame que pode indicar o estado de inflamação no organismo.
Ela não é um exame específico do coração.
Ela pode aumentar por várias causas, como infecções, doenças inflamatórias, obesidade e outras condições, mas pode ajudar a refinar risco cardiovascular e definir uma meta terapêutica mais adequada.
Quando está elevada de forma persistente, pode sugerir maior atividade inflamatória, que também participa do processo de aterosclerose.
Seu tratamento envolve mudanças de hábitos de vida, intensificação no controle do colesterol, diabetes e pressão arterial e em alguns casos, tratamento medicamentoso.
O resultado precisa ser interpretado com cuidado, junto com o quadro clínico e os outros exames.
LDL, ApoB, Lipoproteína A e PCR ultrassensível: por que olhar além do colesterol total?
Durante muitos anos, muita gente avaliava o risco apenas pelo colesterol total.
Hoje, isso é pouco.
O colesterol total pode esconder situações diferentes.
Uma pessoa pode ter colesterol total aparentemente aceitável, mas ApoB elevada.
Outra pode ter LDL controlado, mas Lp(a) alta.
Outra pode ter inflamação persistente, obesidade abdominal, resistência à insulina e risco cardiovascular aumentado.
Por isso, a avaliação moderna do colesterol alto deve ser individualizada.
O objetivo é entender o risco real de cada paciente, e não apenas olhar um número isolado no exame.
Quem deve investigar dislipidemia?
A avaliação do colesterol deve ser iniciada desde a infância, com reavaliações constantes dos níveis de colesterol.
Hoje sabemos que quanto maior o tempo exposto ao colesterol alto sem controle, pior o risco cardiovascular e maior a chance de desfechos desfavoráveis a médio e longo prazo.
Procure avaliação se você tem:
- Colesterol alto;
- Triglicérides alto;
- Pressão alta;
- Insuficiência Cardíaca (Coração Fraco)
- Diabetes;
- Obesidade;
- Sedentarismo;
- Tabagismo;
- Histórico familiar de infarto ou AVC;
- Doença arterial coronariana;
- Angina;
- Infarto prévio;
- Uso de stent;
- AVC prévio;
- Doença renal;
- Gordura no fígado;
- Suspeita de colesterol familiar.
Também é importante avaliar quando há histórico de infarto em pessoas jovens na família.
Nesses casos, podem existir alterações genéticas, como hipercolesterolemia familiar ou Lp(a) elevada.
Dislipidemia tem tratamento?
Sim. A dislipidemia tem tratamento.
A intensidade do tratamento depende do tipo de alteração e do risco cardiovascular do paciente.
Pode envolver mudanças no estilo de vida e medicamentos.
Entre as principais medidas estão:
- Alimentação mais equilibrada;
- Redução do consumo de ultraprocessados;
- Controle do peso;
- Atividade física regular;
- Parar de fumar;
- Controle do diabetes;
- Controle da pressão arterial;
- Redução do consumo de álcool;
- Uso de medicamentos quando indicados.
Em muitos casos, os remédios para colesterol são necessários para reduzir o risco de infarto e AVC e ter uma maior longevidade
Estatinas são seguras?
As estatinas estão entre os medicamentos mais estudados da Cardiologia.
Elas reduzem o LDL e ajudam a diminuir o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular nos pacientes que tem indicação de uso.
Muitas pessoas têm medo de usar estatina por mitos ou informações incompletas.
Como qualquer medicamento, podem existir efeitos colaterais.
Mas, na maioria dos pacientes, são bem toleradas e seguras quando indicadas e acompanhadas corretamente por um cardiologista.
A decisão de usar estatina deve considerar o risco cardiovascular, os exames e a história clínica de cada paciente.
Como desconfiar que a dor muscular são pelas estatinas?
As estatinas na grande maioria dos causas são drogas bem toleradas, não causando efeitos colaterais.
Um dos principais efeitos colaterais das estatinas é a dor muscular.
Antes de ajustar as estatinas, deve-se avaliar outras causas para a dor muscular como deficiência de vitamina B12 ou vitamina D, hipotireoidismo ou interações com outros medicamentos.
As principais características da dor muscular em uso de estatinas são:
- Início da dor em até 1 mês após início da medicação com melhora em até 1 mês após retirada das mesmas
- Dor em grandes grupos musculares, como quadril e ombros
- Dor tipo câimbra ou fraqueza
Na maior parte das vezes, a dor muscular a estatina não necessita de suspensão da medicação. Com algumas medidas, é possível ajustar ou trocar as medicações para maior tolerância ao uso das mesmas.
Quando procurar um cardiologista?
Procure um cardiologista se você tem colesterol alto, triglicérides elevados, histórico familiar de infarto, diabetes, pressão alta, tabagismo ou doença cardiovascular conhecida.
Também é importante buscar avaliação se você já teve infarto, colocou stent, tem angina, AVC, doença nas artérias ou Lp(a) elevada.
O cardiologista pode avaliar seu risco cardiovascular, definir metas de tratamento e orientar quais exames fazem sentido para o seu caso.
Cuidar do colesterol alto é cuidar das artérias antes que aconteça algum quadro cardiovascular mais grave.
FAQ
1- Colesterol Alto dá sintomas?
Não. O colesterol alto pode agir em silêncio por muitos anos e aumentar o risco de placas de gordura nas artérias.
A presença de sintomas na presença de colesterol alto define uma consequência do colesterol alto não controlado, com a presença de placas de gordura que geraram romperam a placa de gordura, causando infarto, AVC ou doença arterial periférica.
2- O que é ApoB?
A ApoB é uma proteína presente em partículas de colesterol que podem formar placas nas artérias. Ela ajuda a estimar o número de partículas capazes de gerar acúmulo de placa de gordura nos vasos do organismo.
É um exame realizado para refinar o risco cardiovascular do paciente, principalmente em paciente com obesidade, diabéticos ou com triglicérideos altos.
3- O que é Lp(a)?
A Lp(a) é uma partícula de colesterol semelhante ao LDL, influenciada principalmente pela genética. Quando elevada, pode aumentar o risco de infarto, AVC, estenose aórtica e doença arterial coronariana.
É um exame que deve ser realizado uma vez na vida por todos os pacientes para ajudar a refinar o risco cardiovascular
4- O que é PCR Ultrassensível?
A PCR-us é um exame que pode indicar inflamação, podendo ajudar a refinar o risco cardiovascular dos pacientes.
5- Inflamação pode causar infarto?
A inflamação participa do processo de formação de placas de gordura nos vasos do corpo
Placas inflamadas podem se tornar instáveis e favorecer a formação de coágulos, aumentando o risco de infarto e AVC.
6- Colesterol total normal significa coração protegido?
Não necessariamente. O risco cardiovascular depende dos níveis de LDL, ApoB, Lp(a), pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico familiar e outros fatores.
Um fator controlado reduz o risco, mas a avaliação do risco é individualizada e depende de vários parâmetros para atingir o controle e reduzir cada vez mais o risco cardiovascular.
7- Minha Lipoproteína A (Lp(a)) deu elevada. O que devo fazer?
A Lp(a) sofre influência genética.
Até o momento, não existem medicações para reduzir a lipoproteína A, mas podemos intensificar o tratamento para colesterol alto, controlar adequadamente pressão alta, diabetes, além de estimular perda de peso, prática de exercícios físicos regulares e alimentação saudável.
8- Qual valor normal do colesterol?
Não existe um valor único de colesterol. Um valor para uma pessoa pode ser adequado e para outra pessoa não.
Para saber se o colesterol está em níveis adequados, necessitamos de saber a história clínica e seu risco cardiovascular.
Através disso, definimos a meta para atingir aquele valor.
9- Devo parar as estatinas caso tenha dor muscular?
A dor muscular é um dos principais efeitos colaterais das estatinas, mas na maior parte das vezes é uma medicação bem tolerada.
Antes de atribuir a dor muscular às estatinas, deve-se excluir causas como deficiência de vitamina B12, vitamina D, hipotireoidismo ou interação com outras medicações.
Após confirmado a dor muscular pelas estatinas, pode-se adotar estratégias como:
- Troca de estatinas
- Redução de dose para a maior tolerada
- Uso de medicações alternativas
A melhor estratégia deve ser avaliada em conjunto com avaliação cardiológica para melhor tolerância a medicação
10- Meu colesterol controlou com uso da medicação. Posso interromper?
A principal fonte de colesterol é genética e uma vez indicado uso de medicamento para controle do colesterol alto, a interrupção do uso do mesmo causa retorno aos níveis anteriores ao uso do medicamento
Portanto, a dislipidemia (colesterol alto) deve ser tratado como doença crônica e ter o uso da medicação regularmente para manter o controle.
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